sexta-feira, 20 de novembro de 2015

yoga

Impõe-se um  recuo  temporal para  revisitar o problema da de! nição de  “mente”. No ! nal do século XIX, Darwin enfatiza as semelhanças entre mentes humanas e não-humanas, sugerindo que as diferenças resultariam do grau e não do tipo (Darwin, 1871). Por outras palavras, a perspectiva de Darwin não previa uma descontinuidade das  funções complexas entre humanos e não-humanos, mas um grau de diferencia-ção obtido pela combinação das capacidades cognitivas de alto nível, cada uma des-tas superior àquelas dos animais não-humanos. Apesar da propensão da comunidade cientí! ca para seguir esta tendência, até esta ideia basilar foi recentemente contestada (Penn, Holyoak, & Povinelli, 2008). Penn e colaboradores não questionam a partilha de mecanismos cognitivos similares entre humanos e outros animais. No entanto, sugerem que apenas os humanos possuem os processos representacionais necessários à rein-terpretação sistemática das relações perceptivas primárias. Mais especi! camente, esta reinterpretação seria efectuada em termos de estruturas relacionais de alto nível (i.e. complexas) semelhantes àquelas de um sistema simbólico. prática de yoga


  Será que são estes processos relacionais simbólicos que de! nimos como cons-ciência? Apesar de esta palavra ser muitas vezes utilizada para sustentar a nossa sin-gularidade, a questão não é  tão  simples de  resolver.  Inúmeros  cientistas e  ! lósofos têm tentado caracterizar cosciência sem sucesso. A de! nição com maior aceitação é generalista e, apesar de pecar pela ausência de precisão, é aprovada pela maioria das escolas de pensamento.

 Assim, usemos a de! nição de um ! lósofo moderno que, preo-cupado com a questão da relação mente/corpo, de! ne consciência como um fenómeno diferenciado da atenção, do conhecimento e da consciência de si (Searle, 1992). Este autor descreve consciência simplesmente como os estados subjectivos de ser cônscio. Estes têm início quando se acorda de um sono sem sonhos e prolongam-se até que o sujeito volte a dormir, ou ! que em coma, ou morra. Searle (1992) insiste em dois pontos. 
O primeiro refere que a consciência é um fenómeno biológico. O segundo remete para a subjectividade da consciência, visto esta ser privada e resultar da interacção do Eu com o mundo. De acordo com Damásio (1999), a consciência do meio requer mais do que o input sensorial. Requer também uma interacção entre o input sensorial e o estado 

No presente artigo, visamos apresentar uma abordagem  introdutória  trans-cultural aos conceitos de energia, gestão energética, performance, nível de prática e  exercício,  partindo  da  Fisiologia  do  Exercício.  Pretende-se  adaptar  alguns  dos conceitos fundamentais do exercício à prática do yoga.

  Actualmente, a tendência de universalização do conhecimento exige que seja feito um esforço para compatibilizar conceitos fundamentais da prática e do conheci-mento remoto e ancestral com a prática actual, ajudando a enquadrar os praticantes destas modalidades  num  referencial  e  num  contexto  necessariamente  diferentes, mas essenciais para a experiência integral do yoga.

  Ao observarmos a prática de yoga, somos aparente mente conduzidos a um mundo diferente, lírico e nostálgico, despertando o nosso imaginário e alguma des-con! ança portudo o que é desa! ante e diferente. As posturas mantidas e o cuidado na respiração transpõem-nos para uma realidade quase mística. A antevisão de uma prática íntima e de auto-conhecimento gera, por um lado, a curiosidade e, por outro, a suspeição.  Algumas actividades físicas advogam a utilização de mecanismos funcionais inexplorados ou de formas de energia únicas, não compreensíveis para os não-prati-cantes ou iniciados. Criam-se por vezes, involuntária ou intencionalmente, barreiras divisionistas que em nada colaboram para o desenvolvimento de práticas saudáveis. A nossa aposta é que o conhecimento poderá ser de todos aqueles que se esforcem por o adquirir. Em todas as culturas sobrevive o melhor que pode fornecer: há que saber ligar e tirar proveito a nível global.

  Será que a energia que é gerida e regulada no domínio das posturas (âsana), transições e sequências de acções e no controlo concomitante da respiração (prâ-nâyâma) do yogui é idêntica à de outras actividades de elevado nível de desempe-nho? Estaremos perante algo diferente, sem tradução no vocabulário ocidental da cultura motora?  

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